Tireóide e Gravidez: Quando investigar? Como tratar? ( Por Dr. Frederico Maia)

Hipotireoidismo? Hipertireoidismo? O que é isso? Como isso pode afetar a minha gestação?
Essas e muitas outras dúvidas serão esclarecidas pelo nosso endocrinologista Dr. Frederico Maia em uma série de posts sobre a Tireóide!
Mais uma vez, sem palavras para agradecer a disponibilidade e vontade de dividir conhecimentos do Dr. Frederico.
Curtam e aprendam bastante!!!
Beijos
“Olá pessoal! Vamos começar a falar de um assunto muito importante na Endocrinologia da gestação: os distúrbios da TIREÓIDE!!! Vamos debater um pouco sobre o que é, o que faz essa glândula, para entender a importância das suas alterações, e, logo, dos tratamentos para uma gestação tranquila!
A tireóide é uma das glândulas mais importantes de nosso corpo, com seus 15 a 20 gramas de peso e localizada na região do pescoço, na porção anterior e inferior, que por seu aspecto e função, teve seu nome derivado do grego: thyreos = escudo e eidos = forma (formato de escudo). Muitos a descrevem como semelhante a uma “borboleta” no pescoço.

A tireóide é responsável por manter o perfeito equilíbrio das funções corporais, responsável em grande parte pelo nosso metabolismo basal, daí a importância do diagnóstico de suas disfunções que podem afetar os vários outros sistemas de nosso organismo (coração, colesterol, fígado, ossos, peso etc…).
A produção excessiva dos hormônios tireoidianos leva ao HIPERTIREOIDISMO.
Esses distúrbios da tireóide são relativamente comuns, especialmente o HIPOTIREOIDISMO. Quando a tireóide “falha”, dizemos que todo o organismo fica “devagar” também, o que seria prejudicial para a gestante e para o feto. Estima-se que o HIPOTIREOIDISMO ocorra em menos de 1% das gestações.
Uma das causas mais comuns do HIPOTIREOIDISMO na mulher é a tireoidite de Hashimoto; um quadro de origem auto-imune, que nosso próprio organismo “ataca” a nossa tireóide, através dos anticorpos anti-TPO e anti-Tireoglobulina (facilmente dosados no exame de sangue, pedido por seu médico). Assim, a glândula tireóide não funciona adequadamente e há baixa produção dos hormônios T3 e T4 (tiroxina).
Além dos distúrbios hormonais, também podem ocorrer as alterações estruturais da tireóide, como o BOCIO (aumento do volume tireoidiano), nódulos da tireóide e até o câncer na tireóide, que pode ocorrer também na gestante. O ultrassom é um exame fundamental nesses casos, bem como a avaliação pelo especialista em tireóide.
Diversos trabalhos já mostraram um maior risco de aborto espontâneo e complicações obstétricas quando os anticorpos anti-tiroidianos estão elevados. O risco de aborto se eleva até 4 vezes na presença da tireoidite de Hashimoto; além de maior chance de parto prematuro em cerca de 2x, e danos ao sistema neurológico fetal que podem acarretar déficits futuros ao longo da vida.

E as grandes dúvidas então vão surgindo: em quem então pesquisar problemas da tireóide? Em TODAS as gestantes??? Somente nas que tem história familiar ou prévia de tratamentos da tireóide? Fazer exames e ultrassom de TODAS as candidatas a mamãe? Quando seu obstetra deveria encaminhar para uma avaliação com o Endocrinologista?

Essas e outras dúvidas vamos sanar ao longo da nossa série de casos sobre a Tireóide!!!
Fé e força…e um abraço a todos leitores, do Dr. Frederico.”
Dr. Frederico Maia
Endocrinologia e Metabologia – Título de Especialista pela SBEM
Mestre e Doutorando pela UNICAMP

 

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