Sobre terceirizar filhos

Terceirizar filhos têm consequências.

Não estou aqui para julgar, até porque sou mãe também e já paguei muito minha língua em diversas coisas relacionadas a maternidade.

Porém, quero deixar um ALERTA!

Bem antes de ser mãe eu dava aula para crianças. Amava o meu trabalho e amava estar com crianças, a sinceridade e carinho delas sempre foi motivador.

Agora vou contar pra vocês o que ouvi, não apenas uma vez, mas várias: “Prô, eu queria muito que você fosse a minha mãe.”. Ploft. Meu coração partia de escutar uma coisa dessas. Ficava “cheia” de saber que eles tinham muito carinho por mim, e que se sentiam felizes ao meu lado, mas por outro lado me dava uma tristeza… Eram crianças de classe média alta e alta, suuuper carentes. Querendo atenção, conversa de seus pais.

Não pensem que na maioria dos casos eram filhos de mães que trabalhavam fora… Muitos tinham a mãe em casa o tempo todo e ausente.

Eu sabia que aquilo eu não queria pros meus futuros filhos. Não sabia se ia continuar a trabalhar ou não, mas sempre pensei na qualidade do tempo com as crianças. Por isso, trabalhar não é desculpa para não estar por perto.

Não sou perfeita, estou beeem longe disso, mas tento balancear as coisas e eu e meu marido assumimos ser pais. Tenho ajuda? Sim! Mas quem educa somos nós. Quem dá carinho e apoio somos nós. Quem ampara quando precisam somos nós. Estaremos sempre ao lado deles. Somos suas referências.

trabalho? Muuuito! Tem dia que dá vontade de sumir, sair correndo. Viajar sem data de volta! Mas é isso. Maternidade não é fácil, mas muito recompensador. Vale a pena todo o esforço!

Então, não terceirizem seus filhos. Assumam eles. Conversem. Estejam de verdade com eles, pelo tempo que puderem, mas com qualidade.

Abaixo um artigo muito bom que fala sobre o assunto também!

Beijocas

Hoje em dia muitos pais dedicam pouco tempo aos filhos, seja por causa do emprego, seja por causa do cansaço. Claro, a situação mudou muito se compararmos com 50 anos atrás. As mulheres estão buscando sucesso profissional, e isso não é a razão de as crianças estarem mais sozinhas. A questão é se, no meio de tudo isso, a gente tira um tempo para prestar atenção nos filhos.

A psicóloga e escritora Mariza Tereza Maldonado, autora do artigo A Era da Infantocracia, deixa claro que não adianta levar a criança ao clube se ela vai ficar jogando no celular enquanto os pais tomam um sol. Muitos pais caem nessa armadilha e acabam compensando o filho com presentes, roupas, brinquedos e viagens caras.

Essa é a hora da verdade: não dá para comprar nossos filhos. Nenhum presente no mundo substitui um momento de carinho ou de conversa. O final de semana é um ótimo momento para isso: se a semana é corrida, se não dá pra almoçar todo mundo junto de segunda a sexta-feira, é no final de semana que a gente pode compensar esse tempo, mas sem muitos luxos.

O presidente da Academia Brasileira de Pediatria e escritor José Martins Filho, pai de Fábio e Graziella e avô de Artur e Felipe, nos contou que, em países desenvolvidos, as mães têm até dois anos de licença-maternidade e esse período é dividido com os pais, para garantir que as crianças sejam cuidadas por seus pais.

Diga não à terceirização

“Terceirizar uma criança é colocar a responsabilidade de educá-las em outras pessoas ou instituições. As crianças que são terceirizadas sofrem, perdem o referencial”, diz José Martins Filho. É comum que alguns pais deixem seus filhos com os avós ou na escola durante todo o dia.

Com isso, não há problemas, desde que os pais deixem claro para a criança que ela está lá por necessidade, mas que no final do dia vai voltar para casa e todos vão passar um tempo juntos. Nem os avós e muito menos a escola têm a responsabilidade de impor regras, de mostrar limites, de ensinar valores. O que deve existir aí é uma parceria entre família para que as lições ensinadas pelos pais sejam reforçadas em todos os ambientes.

“Se você não está tendo trabalho é porque não está educando”, conclui o escritor. Claro, quando os pais terceirizam os filhos não fazem isso de propósito. Mas é preciso sempre um exame de consciência para saber se a falta de tempo não está se tornando uma rotina e afetando a relação.

As consequências para a criança que é terceirizada são muitas e você pode começar a notá-las em comportamentos do dia a dia: agressividade, manha, recusa escolar, dificuldades de relacionar-se com amigos, baixa autoestima e, principalmente, não conseguem respeitar limites e figuras de autoridade.

Como ensinar as crianças a lidarem com a raiva

Outra questão que tem distanciado os pais dos filhos são os aparelhos tecnológicos. Eles são ótimos para entretenimento, mas o uso precisa ser controlado. Não só tablets e celulares, que são mais recentes, mas a televisão também tem esse efeito.

Claro, em alguns momentos deixar a criança brincar de ficar deslizando o dedo na tela faz parte. Mas isso não pode fazer parte da regra, só para aquele momento em que você quer um pouco de sossego e entretenimento. É a melhor saída para seu filho se distrair.

Fonte: Revista Pais e Filhos

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