Quando falar sobre a morte com nossos filhos

Um dia desses aconteceu uma coisa que mexeu muito muito muito comigo.

Estava colocando os meninos para dormir e de repente o rafa começou a soluçar de tanto chorar. Eu perguntava o que estava acontecendo e ele dizia: “Mamãe eu preciso te falar uma coisa, mas eu não consigo!”. Só de lembrar e escrever aqui me arrepio toda e me emociono.

Na hora eu pensei mil coisas, comecei a ficar desesperada, pois ele dizia que queria falar, mas não conseguia. DESESPERADOR!

Acendi a luz do quarto olhei bem no olho dele e disse: “Meu amor, confie em mim. Você pode me contar tudo o que sente e o que acontece. Por favor fale pra mamãe!”… Ele disse: “Mamãe eu tenho medo que você morra. Eu gosto muito de você. Você é tudo pra mim”. Ploft. Vi que ele ficou aliviado em falar, deu uma relaxada nos músculos do corpo, mas seus olhos continuavam molhados e preocupados. abracei ele tão forte, mas tão forte que meu pequeno do lado começou a chorar também. Ficamos abraçados os três e depois do conforto daquele momento conversei com eles.

Falei que se Deus quiser eu vou morrer quando estiver bem velhinha, mas que essas coisas não podemos saber. Ninguém sabe quando vai morrer. Dei o exemplo que minha mãe, pai, sogros estão entre nós. Que minha vovó faleceu com mais de oitenta anos e a vovó do papai está viva com mais de noventa… Disse também que nunca estarão sozinhos, pois sempre terão pessoas que amam por perto e caso um dia isso aconteça que nos encontraremos sempre nos sonhos, assim como encontro minha vovó. Ele deu risada quando eu disse que eu sonhava com minha avó e que a gente ria, se abraçava e eu matava a saudade dela quando eu acordava.

Achei cedo a preocupação dele, pois só tem quatro anos, mas o Rafael é um menino extremamente sensível. Ele é pura emoção, assim como eu.

Na hora eu falei o que eu senti, o que achei correto e prefiro sempre dizer a verdade. Não disse que nunca vou morrer, pois não é a realidade infelizmente. Aliás, nunca tive tanto medo da morte como agora, pois quero estar ao lado deles pra sempre!!!

Depois que eles adormeceram dei uma lida na internet e achei um texto interessante sobre o assunto. Compartilho abaixo com vocês!

Por aí já rolou o assunto com os filhotes?

Como foi ou como pensam em falar sobre?

Beijocas

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A morte é um assunto difícil de entender até para os adultos. Para os pequenos é ainda mais confuso. Por isso, eles precisam de todo o apoio e sinceridade nos momentos em que devem encarar a perda de uma pessoa próxima. Especialistas explicam o que fazer ou não nessas horas.

1) A partir de que idade se deve falar de morte com as crianças?

Não existe idade certa para tocar no assunto. O ideal é que se espere a necessidade, seja pelo falecimento de alguém conhecido ou a curiosidade do pequeno. “Aos 4 ou 5 anos as crianças começam a entender as relações da vida e a ter acesso maior às informações”, explica o coordenador do curso de Tanatologia (Educação para a Morte) da Disciplina de Emergências Clínicas da FMUSP, Franklin Santana Santos. O que se deve fazer é ir educando seu filho através de exemplos práticos do ciclo da natureza. Semeie uma plantinha e vá mostrando como ela nasce, cresce, adoece e morre. Aquele feijãozinho plantado no algodão pode ser um ótimo aliado. Cantigas, livros infantis e filmes que tratam do assunto também ajudam.

São três pontos que as crianças precisam ir compreendendo com a sua ajuda: a universalidade – tudo que é vivo um dia vai morrer –, a irreversabilidade – quando morre, não há volta – e a não funcionabilidade – depois de morto, o ser não corre, não dorme, não pensa, não age. “As crianças personificam a morte. Imaginam que ela seja uma figura da qual podem escapar ou enganar. É preciso explicar que não é assim”, diz Franklin.

2) Crianças podem ir a velórios ou enterros?

Não se pode forçar, mas elas se beneficiam de participar junto aos adultos deste ritual de passagem. “Explique direitinho o que é um velório e um enterro e pergunte se ela quer ir. Mas nunca decida pela criança a deixá-la de fora”, indica Silvana Rabello, professora do curso de psicologia da PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo). Os rituais servem para que todos vivenciem melhor a despedida, inclusive os pequenos. E não se preocupe: os especialistas concordam que velórios e enterros não traumatizam as crianças.

3) Como contar para elas que alguém que conhecem morreu?

Não esconda nada, muito menos invente histórias para poupar os pequenos. Frases como “ele dormiu para sempre”, “descansou” ou “fez uma longa viagem” só vão confundir a cabeça infantil. Crianças levam tudo ao pé da letra e podem achar que a vovó vai acordar ou que todo mundo que viaja nunca volta.
É muito comum também usar a famosa “o vovô virou uma estrelinha”, que pode levar a criança a acreditar nisso literalmente e ficar elaborando maneiras de chegar até ele. “As crianças de até cerca de 10 anos não abstraem. O seu psiquismo em construção não consegue captar os conceitos subjetivos. Elas pensam de forma concreta e constroem os conceitos a partir do concreto”, enfatiza Deusa Samú, psicóloga clínica especialista em luto.

4) E se a pessoa for muito próxima?

Se a morte for por doença, a criança deve estar a par de todo o processo. Explique que a pessoa está doente e que é grave, lembre do ciclo da vida da plantinha. “Não fale de sopetão. Mas, quando acontecer, use sempre a palavra ‘morte’. Isso é bastante importante para que ela entenda”, ensina Franklin. Se a morte for inesperada, é preciso ser direta e sincera. Abra espaço para tirar todas as dúvidas que podem estar passando pela cabeça do pequeno. Não é necessário esconder as emoções, mas observe se sua atitude não está traumatizando as crianças.

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5) Quando ela pergunta o que significa morrer, como explicar?

“Primeiro, elabore seus próprios conceitos sobre a morte e sobre a possível continuidade da vida, porque só poderemos responder às crianças respeitando nossa própria verdade”, aconselha Deusa.

Depois, explique que nem todos pensam como papai e mamãe. Dê as versões de outras religiões, inclusive do ateísmo. Mais uma vez vem o conselho de todos os especialistas: “seja honesta”. Nem sempre você terá todas as respostas. Que tal dizer “não sei” e se propor a buscar as explicações junto com seu filho?

6) Qual a melhor forma de ajudar a criança durante o luto?

Demonstre que, como ela, você também está sofrendo e sente saudades. Deixe que a criança fale sobre seus sentimentos e, acima de tudo, dê apoio e acolhimento. Garanta que ela nunca estará sozinha e sempre haverá alguém para cuidar dela. Isso porque o ente que se foi pode ser um dos pais ou o pequeno pode começar a pensar na mortalidade deles.

“Não exclua as crianças das conversas, da tristeza. Ouça o que elas têm pra falar ou peça para que desenhem o que estão sentindo”, indica Silvana.

É natural que os pequenos apresentem mudanças de comportamento depois que recebem a notícia da morte de alguém com quem convivem. Além do choro e da raiva, alguns começam a ir mal na escola, ficam hiperativos ou fazem xixi na cama. Considere a ajuda de um psicólogo e até da escola. É importante que a criança sinta que tem o apoio e a atenção dos colegas e dos professores.

Como acontece com os adultos, a memória afetiva nunca vai desaparecer. Mas, depois de certo tempo, acontece o chamado luto saudável, quando se percebe que é possível se lembrar do ente querido de forma leve e sem sofrimento.

FONTE: DELAS

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