Marca Passo na Gravidez (Por Dr. André Luiz Mendes Martins)

Achamos importante abordar esse tema tão sério, uma vez que está se tornando cada dia mais comum alterações cardíacas durante a gravidez.
Esperamos que vocês aproveitem a informação para enriquecer os conhecimentos e até mesmo ajudar uma grávida à procurar um especialista caso esteja apresentando alterações cardiológicas. O diagnóstico precoce é fundamental para a saúde da mamãe e do bebê!
Beijos!

As doenças cardiovasculares maternas que tem volume sanguíneo e frequência cardíaca baixa ou que o organismo não tem capacidade de elevá-los devem ser tratadas de forma rápida e eficiente, pois podem levar a uma baixa irrigação uteroplacentário e cerebral submetendo a mãe e o feto a riscos. Dentro do arsenal terapêutico cardiológico atual o marca-passo cardíaco é a forma mais eficaz para correção destes distúrbios.
As doenças que determinam baixa frequência cardíaca ou incapacidade de elevá-la têm várias origens: congênitas (bloqueio atrioventricular total congênito ou relacionado à má-formação cardíaca como comunicação intraventricular, transposição de grandes artérias e outras); iatrogênica (pós-ablação por radiofrequência e ou após cirurgias cardíacas); adquirida (doença de Chagas, endocardites, doenças do tecido conjuntivo).
 O marca-passo é um dispositivo alimentado por bateria que libera estímulos elétricos, conduzidos por cabo-eletrodo em contato com o coração. Tem como função, restaurar aos batimentos normais ou próximos do normal no repouso e, ou, no exercício. Mais de 400,000 marca-passos são implantados por ano, no mundo. Nos EUA ha mais de 500 000 pacientes com marca-passo.
 No Brasil, segundo o Departamento de Cardioestimulação Artificial da Sociedade Brasileira de Cardiologia (DECA), no período de 01/01/1995 a 31/12/2002 houve 92,378 implantes de marca-passos, sendo 48,650 em mulheres (DECA 2005). De junho de 2005 a maio de 2006, 12172 marca-passos foram implantados; 64/milhão de habitantes, sendo 63,3% atrioventriculares e 36% ventriculares.
Na gestação, a indicação do implante de marca passo é a mesma que para não gestantes e deve ser feita, preferencialmente, após a oitava semana de gestação. Contudo alguns estudiosos dizem que o implante de marca-passo deve ser considerado quando a bradicardia materna não propiciar um adequado fluxo sanguíneo uteroplacentário que permita um bom desenvolvimento fetal. Mesmo que a paciente não tenha sintoma.
Durante a gestação o implante do marca passo impõe alguns cuidados devido ao risco de expor o feto à radiação ionizante. O que pode levar à má-formação congênita. Por isso, algumas técnicas têm sido desenvolvidas com o intuito de amenizar os riscos de teratogenicidade, induzidas pelo raio X, durante o período de embriogênese.
O implante de marca-passo utilizando ecocardiograma e eletrocardiograma simultâneo. ecocardiograma transesofágico com radioscopia (raio X): Com o abdome da grávida, envolto com avental de chumbo, em toda sua circunferência, rapidamente é realizada a radioscopia (raio X) para visualizar a posição e a curvatura do cabo-eletrodo.
Considerando que a gestação é um estado hiperdinâmico e que durante o trabalho de parto e no parto a mulher é submetida a um esforço importante, fica clara a importância da sincronia atrioventricular e do aumento da frequência cardíaca na gestação.
Frente a todos os fatos expostos acima, o marca passo pode ser um importante aliado para assegurar uma gestação, trabalho de parto e parto adequado e sem complicações materno-fetais.
O marca-passo cardíaco assegura bons resultados gestacional do ponto de vista materno fetal.
Dr. André Luiz Mendes Martins
Médico – Cirurgião Cardiovascular do Hospital Sírio Libanês e Beneficência Portuguesa de São Paulo
Membro especialista da SBCCV
Sócio /Diretor da Cardioclínica Paulista
Editor do blog Miocárdio
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