Entendendo a Febre Amarela – Por Dra. Betina Lahterman

Entendendo a Febre Amarela. Principais informações sobre a doença.

 

A Febre Amarela é a doença que mais tem preocupado os brasileiros ultimamente! Muito tem se falado sobre essa doença e o acúmulo de informações tem deixado bastante gente confusa!

Mas afinal, o que é essa doença? Como  a Febre Amarela é transmitida? Devo tomar a vacina?

Pedimos para a Dra. Betina Lahterman, médica pediatra, esclarecer os pontos principais da Febre Amarela para que possamos nos prevenir de forma correta e garantir a saúde de toda a família.

Entendendo a Febre Amarela

Em meio a tantas informações, encontradas e/ou desencontradas, se faz importante o esclarecimento sobre o “alarme” da Febre Amarela.

O período de incubação (ou seja, o tempo decorrido entre a picada do mosquito e o aparecimento dos primeiros sintomas da doença) é curto, geralmente de 3 a 6 dias.

Os sintomas iniciais incluem o início repentino de febre, dores musculares em todo o corpo, calafrios, dores de cabeça, náuseas e vômitos, cansaço e fraqueza. A maioria das pessoas melhora poucos dias após estes sintomas iniciais.

Não existe um medicamento específico contra o vírus da febre amarela. O tratamento baseia-se no uso de sintomáticos (como analgésicos), repouso, hidratação e acompanhamento médico. Lembrando que, o uso de anti-inflamatório está contra indicado.

Esclareço que antes dos 6 meses de idade, nenhum bebê deve ser imunizado contra a febre amarela. Assim como, gestantes, independente da idade gestacional. Em crianças menores de 2 anos que, receberão  a tríplice viral (sarampo, rubéola e caxumba) e varicela, é preciso ficar atento a possíveis interações entre os imunizantes. Então, as vacinas simultâneas não estão indicadas. O ideal será receber a dose da febre amarela e após 30 dias a tríplice e viral e varicela. As demais vacinas podem ser administradas em conjunto. Alergias e outras particularidades devem ser conversadas com o pediatra.

De maneira geral, a vacina é bem tolerada. Febre, dor de cabeça ou muscular, entre outros sintomas, acometem de 2 a 5% dos vacinados.

Dose fracionada (1/5 da dose plena)

Segundo o documento da Sociedade Brasileira de Pediatria, ela só deve ser dada a crianças com mais de 2 anos de idade – essa é, de fato, a recomendação vigente nas campanhas atuais. A proteção é atingida, porém com duração limitada a 8 anos. Nas menores, preconiza-se a dose plena, por falta de estudos, com proteção permanente.

Cuidados e Prevenção

Nos casos de contra indicação da vacina, sugiro evitar o deslocamento para as áreas de risco e se isso for inevitável, procurar tomar as medidas de precaução para evitar picadas de mosquitos, que incluem o uso de roupas de mangas compridas, meias e o uso de repelentes de mosquitos.

No Brasil os repelentes podem ser usados da seguinte forma:
• O IR3535 e a icaridina podem ser usados em crianças acima de 6 meses, adolescentes e adultos, incluindo gestantes.
• O DEET pode ser usado em crianças acima de 2 anos de idade, podendo também ser usado em gestantes.

Aplique os repelentes apenas nas superfícies expostas e nas roupas. Nunca use repelentes em ferimentos, áreas da pele irritadas ou cortes. Não aplique sobre os olhos ou boca. Quando utilizar sprays, não aplique diretamente sobre o rosto – aplique primeiro nas mãos e depois, com cuidado, no rosto. Não permita que as crianças manipulem e apliquem os produtos.

Pessoas que queiram utilizar protetores solares e repelentes podem fazê-lo, devendo tomar o cuidado de aplicar primeiro o protetor solar e em seguida o repelente.

Apesar de estarmos em pleno século 21, o controle do vetor (Aedes aegypti) ainda é uma das principais falhas para conter a doença (entre outras). Portanto as medidas preventivas devem ser frequentemente reforçadas, evitando o surgimento do ciclo urbano.

Considerações finais

O pânico “criado” pelas mídias não é preventivo e coloca a população em risco.

A atual proposta de vacinação está relacionada ao controle de um possível surto urbano e a ação de saúde pública emergencial de vacinar toda a população urbana é com esse objetivo.

Pediatra Dra. Betina

Dra. Betina Lahterman

Graduada pela Faculdade de Medicina da Fundação do ABC

Residência em pediatria pela UNIFESP

Mestre pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP)

Preceptora na Disciplina de Pediatria Geral e Comunitária do Departamento de Pediatria da UNIFESP

blahterman@gmail.com

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