Anestesia – Por Dr. Pedro Paulo Alfano Filho

Está chegando a hora do parto e morro de medo de anestesia!

A anestesia pode ser algo muito preocupante para as grávidas. São várias dúvidas em torno desse assunto que deixam nosso coração acelerado na hora do tão esperado parto!
Nós mesmas quando estávamos grávidas sentimos uma pontinha de medo… Mas nada como a informação para acalmar os ânimos!!! Já até contamos aqui no blog sobre os nossos partos! Foi por isso que pedimos para o médico anestesista, Dr. Pedro Paulo, escrever esse post. E de forma clara e objetiva ele desvendou os mitos e verdades sobre a anestesia!
Boa leitura!!!

A gestação é um período de muitas mudanças, descobertas e alegrias para a mulher, mas também traz algumas incertezas e medos…
O parto traz algumas dúvidas, porém a anestesia costuma afetar as futuras mães de uma maneira especial!! Muitos receios passam pela mente de quase todas as gestantes!! Muito disso, graças a mitos populares antigos, experiências (positivas ou negativas) de pessoas do seu convívio e familiares, internet…
Gostaria de trazer algumas informações esclarecedoras a respeito da anestesia para gestante com o objetivo de ajudar a diminuir a insegurança tão presente nesse momento!!!

Vamos começar pelo começo (Rs)… No tempo em que vivemos, temos acesso a muita informação, por diversos meios de comunicação. Isso pode ter inúmeros efeitos, por isso tente utilizar essas informações de forma crítica, a seu favor e transforme todas elas em conhecimento.

Escolha bem o seu obstetra! Pesquise, converse, pergunte… Crie um laço de confiança com seu médico, afinal, além de cuidar da sua saúde durante a gravidez, é ele o responsável por trazer ao mundo o seu bem mais precioso: seu filho. Confiança é essencial para que você tenha dias “leves” até o final da geração.

Quanto ao seu anestesista, na maioria das vezes, você só irá conhecer alguns dias (ou mesmo algumas horas) antes do parto… e como estabelecer uma relação de confiança em tão pouco tempo com ele? A resposta é simples: o seu obstetra já o conhece, trabalha com ele e, portanto, confia nele! Eles fazem parte de uma mesma equipe que tem como objetivo o bem-estar de mãe e filho. Tendo isso em mente será mais fácil (ou menos difícil para alguns casos, rs) sentir-se mais segura e tranquila para enfrentar o parto.
Durante a entrevista pré anestésica, sinta-se a vontade pra tirar suas dúvidas, fazer perguntas e mostrar suas principais angústias no que diz respeito ao ato anestésico e aos efeitos que ele provocará em você e no seu bebê…

Qual é a anestesia ideal?

A anestesia ideal é individualizada e baseia-se nas condições clínicas da mãe e do bebê e na via de parto indicada pelo obstetra que já sabe das preferências de sua paciente. A anestesia mais realizada é o bloqueio subaracnoídeo (mais conhecido como a “raqui”). Além dele pode ser feito também o bloqueio peridural e a anestesia geral, reservada a casos específicos, como por exemplo pacientes com determinados problemas cardíacos ou em casos em que os bloqueios são contra-indicados de forma absoluta!

Os bloqueios:

Para entender como funciona a raqui e a peridural precisamos entender um pouco do Sistema Nervoso Central (SNC).
O SNC é composto pelo encéfalo, medula espinhal,  líquido raquidiano e meninges.  Ele é recoberto pela dura-máter que contém o líquor (que é um fluido cerebroespinhal).
A raquianestesia consiste na injeção de anestésico após a dura-máter (dentro do líquor). Quando o anestésico (em pequenas quantidades) entra nesse líquido retira a dor e causa relaxamento muscular (que varia de intensidade dependendo da quantidade de anestésico) e é a mais escolhida no parto cesárea. Já a peridural restringe o anestésico no espaço peridural (ou seja, no espaço antes dura-máter: fora do líquor).

Uma das grandes vantagens da peridural é a possibilidade de se passar um cateter nesse espaço e injetar o anestésico lentamente conforme a necessidade… Uma ótima escolha para o parto normal em evolução pois pequenas quantidades contínuas de anestésico nesse espaço são capazes de tirar a dor mas não tiram a força muscular (que será útil para que a mãe ajude o bebê a sair na fase expulsiva).

Como é feita a anestesia?

Normalmente a anestesia é realizada nas costas da paciente sentada ou deitada de lado,  buscando uma posição confortável para favorecer o relaxamento e assim facilitar a localização do espaço desejado. A punção com a agulha de raqui ou peri não provoca dor pois é feito uma anestesia na pele antes, o chamado “botão anestésico” (aquele mesmo feito para dar ponto na pele quando machucamos)

Quais as possíveis reações da anestesia?

Após a injeção do anestésico, a paciente pode sentir: aquecimento, formigamento, perda da sensibilidade tátil, e por fim, imobilidade das pernas… Não se assuste!!!! Isso é normal e após algumas horas será possível movimentar as pernas novamente. Junto com esses sintomas, um outro sintoma muito comum: náusea!!! Ela aparece após o bloqueio e geralmente é um sinal de que a pressão abaixou um pouquinho… Avise seu anestesista (ele ficará com você o tempo todo e fará medicações que logo resolverão esse problema) e tente manter a calma e respirar tranquilamente…

E quando o parto termina?

Ao final, você será levada a RPA (recuperação pós anestésica) para ser observada até que os efeitos da anestesia passem.

Mitos sobre anestesia:

Um grande mito que ainda hoje é dito (você já deve ter ouvido) sobre a raqui é: “não levante a cabeça!! nem um pouquinho!! Nem nada…. Se não, você vai ter dor de cabeça pro resto da vida!!”
Vejamos: antigamente, eram usadas agulhas de um calibre muito maior do que as usadas atualmente, levando assim maior chance da paciente apresentar cefálica pós punção e por essa razão era orientado o repouso absoluto sem elevação da cabeça nos primeiros dias.

Hoje em dia, as agulhas usadas são muito finas, o que diminui muito a chance desse quadro. A cefaleia pós punção é uma complicação que ainda pode ocorrer hoje em dia, mas o aparecimento dela ou não,  independe do repouso absoluto no leito na posição horizontal.
A cefaleia pós punção normalmente ocorre no primeiro ou segundo dia após a punção, sendo uma cefaleia de grau variável (leve até incapacitante) e sua principal característica é que piora em pé ou sentada e melhora muito deitada. Se a paciente  apresenta essas características somado à punção anestésica prévia, podemos diagnosticar essa complicação. Podemos tratá-la clinicamente ou com um procedimento feito no centro cirúrgico chamado Bloodpatch, por isso é correto é voltar ao hospital se apresentar esses sintomas. Mas, o mais importante,  é que ela é autolimitada resolvendo espontaneamente em 10 a 15 dias mesmo sem nenhum tratamento clínico! Portanto não há a possibilidade de permanecer com sintomas pelo resto da vida!! Fique tranquila!
Essas foram algumas dicas e esclarecimentos resumidos na tentativa de fazer você passar melhor pelo momento do parto. A medicina não é uma ciência exata e o corpo humano imprevisível!!! Por isso o mais importante para você, como frisei no início do texto, é escolher a equipe médica que você tenha confiança e acreditar que ela é capacitada para fazer o que todo médico deve fazer ao se formar e fazer seu juramento… Sempre fazer o melhor pelo seu paciente. Do imprevisível e incontrolável Deus cuida!”


Dr. Pedro Paulo Alfano Filho
Médico formado pela FMABC, título especialista em anestesiologia (TEA) pelo CET FMABC, sócio do GAAP (grupo de anestesiologistas associados paulista) atuando na rede de hospitais Sao Camilo-SP


Comentários

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1 comentário

  1. nossa adorei esse texto, estou na terceira gestaçao e na segunda tive essa dor de cabeça que passou com 5 dias… mais como sempre estou com ansiosa pela hora do parto…